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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

3# Gerador De Conversas

                Mais uma vez as grandes conversas entre amigos são sempre as que mais marcam e fazem abrir os olhos sem sequer pensar nisso. O tema que desta vez deu em conversa tem a haver comigo, e em eu ser gay.

Será que o um gay pode vir a ser hetero tal como um hetero se descobre gay?

                Digamos que acredito que tudo é possível, mas não digo que é obrigatório impor nomes. Se alguém gostar de alguém do mesmo sexo durante um tempo e um dia mais tarde gostar de alguém do sexo oposto não quer dizer que faz dele hetero a partir do ponto que se sente melhor com a pessoa do sexo oposto. E isto também ao contrário, quando de gostar alguém do sexo oposto e depois vir a gostar do mesmo sexo. 
                Deste tema surgiu também o seguinte: 

Um dia vir a gostar de mulheres e ser feliz assim.

                Claro que pode, eu não tenho qualquer problema, mas claro que a minha atração maior vai para o lado do sexo igual ao meu. Acho que o que estraga tudo isto é mesmo os rótulos da sociedade. Para quê dizer que gostamos de rapazes ou raparigas se o mais importante é o sentimento? 
                De certo que é um tema que para muitos é de discórdia, pois um hetero pode virar gay, mas um gay virar hetero é impossível, é logo o fim do mundo. Sociedade que é sociedade aceita tudo e não impõe regras a quem quer seja.
                O que vocês acham? Qual a vossa opinião? 



3 comentários:

Miguel R disse...

Ugh lá vamos nós com esta conversa.
Um hétero não vira gay, tal como um gay não vira hétero.
Ou és uma coisa ou és outra.
Muitos gays vivem uma vida no armário casam e têm mulheres até que se decidem a viverem e ter relações como héteros. Não "viram".
Quanto muito poderia ser um bissexual que mudou a preferência.
Mas uma pessoa não "vira" gay ou hetero, pelo amor da santa.

Claro que podes gostar duma pessoa independentemente do género, mas parece-me que se fosse assim tão simples ninguém era gay, porque escolhiam alguém do outro sexo de quem gostassem e namoravam.
Não sei qual é a tua orientação, e acho que nem tu sabes ao certo, mas isso não significa que todo o mundo esteja num constante limbo á beira de "virar".


Estes discursos vindos de pessoas tão novas deixam me sinceramente preocupado com a ideia geral que as pessoas ainda transmitem sobre a homossexualidade.

João disse...

Eu durante muito tempo martirizei-me com essa questão. Desde pequeno que sabia que os meus sentimentos eram controversos. Quando era criança, tive uma paixoneta por uma personagem de uma série de desenhos animados, que era um rapaz loiro, lindo, mas que no fim veio-se a descobrir que era uma rapariga, disfarçada de rapaz! OMFG! xD

Afectivamente, ia-me relacionando com raparigas, mas quando fantasiava, imaginava coisas com rapazes. Mais tarde, acabei por nutrir um amor pelo meu melhor amigo, amor esse que ele só soube muito tempo mais tarde, já depois de o meu sentimento por ele se ter transformado em outra coisa, chamada amor incondicional. Pelo meio ainda fui vivendo mais amores com raparigas e algumas primeiras experiências com rapazes, mas nada de especial.

Como tu dizes e muito bem, não nos devemos "rotular". É um erro. Eu já fui muito feliz ao lado de raparigas, como ao lado de rapazes. É verdade que eu, em particular, me intitulo "soulsexual", porque não me "encaixo" no típico "bi" ou "gay", por assim dizer. Quero ter alguém do meu lado, mas não quero alguém para "one night only", ou para andar a dar só "cambalhotas", se é que me entendes. ;)

Quero do meu lado alguém que me preencha o coração, que me faça brilhar, que me faça dar o meu melhor, mostrar o quanto nós ainda podemos contribuir para melhorar este mundo e mostrar às outras pessoas que sim, podemos ser felizes, mesmo num mundo tão mau e terrível quanto aquele em que vivemos actualmente.

Eu penso que ninguém pode dizer "desta água não beberei".

Cientificamente falando, 80% da Humanidade é bissexual. Só 5% é exclusivamente heterossexual e 5% é exclusivamente homossexual.

Com esta percentagem, dá para perceber que muita gente pode até gostar de certas coisas, o quê pode nunca ter experimentado - e quantos casos já não ouvimos de pessoas que numa noite de copos com amigos, se envolveram com alguém do mesmo sexo e gostaram? O mesmo acontece, embora seja menos falado, com pessoas que dizem gostar apenas de pessoas do mesmo sexo.

O mais importante para mim, é, claramente, os sentimentos. Valem tudo.

Abraço :3

N a m o r a d o disse...

Acho que o Miguel não poderia ter sido mais assertivo.